Depois de escrever o post "Lisboa, Lisboa" (que se pode ler aqui), fiquei com a sensação de que existem muitos significados (polémicos) para a expressão "menina da linha". Aparentemente, esta não é uma expressão inofensiva e de significado simples e factual. Cuidado, por isso, com a sua utilização, porque esta expressão pode acordar as maiores sensibilidades e levar-nos ao pior.
No referido post, caí no erro de me assumir como "menina da linha". Claro que, os comentadores mais astutos não perdoaram e caíram-me em cima. Tal qual justiceiros, acusaram-me de tentar "ludibriar" as pessoas com tamanha mentira. Mais ainda, com esta designação estava a ser "presunçosa" e a tentar "abrilhantar-me de fama antiga" (não vos consigo explicar melhor pois também eu não percebi). Tau, toma que já foste. Pensava eu que escapava impune com a do "ah e tal que eu sou menina da linha porque nasci, cresci e vivi em Oeiras durante toda a minha vida", mas não. Menina da linha ao que parece, é muito mais. É profundo. Ora atentem.
Pelos vistos, e informo-vos disto porque sou uma pessoa boazinha e solidária e não quero que vocês caiam no mesmo erro que eu, uma "menina da linha" não tem necessidade de dizer que o é. Pimba. Portanto, quando tiverem de dizer de onde são não caiam no erro de dizer "Sou de Lisboa", "Sou do Barreiro", Sou de Alijó", porque senão estarão a ser de tal forma presunçosos que nem 10.000 Avé Marias vos valerão. Vão por mim. A pessoa quando é de um sítio não tem necessidade de dizer que é, se disser é porque não é verdadeiramente desse sítio. Ah pois é! Desta não estavam à espera meus amigos.
Depois vem outro profeta da moralidade e brinda-nos com "é por haver pessoas assim que depois as verdadeiras meninas da linha acabam por ter uma conotação menos positiva". Oi? As verdadeiras? O que é isso? Têm pedigree? A cerejinha no topo do bolo é quando diz "se a visse na rua não diria que era uma menina da linha. Nada a ver". Oi oi?
Foi então que aprendi mais uma coisa. Uma menina da linha vê-se pela aparência, topa-se à distância de um só olhar. E esta senhora, que nunca me viu, topou-me logo. Pobre de mim que tive o azar de me cruzar com uma profissional. Pois é, eu sei que estou a dar-vos muitas novidades e é muita informação para assimilar, mas ao que parece uma menina da linha deve obedecer a determinados critérios de aspecto. Não basta ser de lá, ter vivido lá desde sempre e ser uma pessoa de conduta normal. Nã nã nã! Uma menina da linha deve obedecer a uma lista mais ou menos como esta:
- Deve ter cabelo liso, castanho claro com as pontas mais claras;
- Deve ser magra e alta (pode não ser muito alta vá);
- Deve ser bonita, ao estilo das suas amigas "Teresinhas", "Madalenas" e "Rosarinhos";
- Deve vestir-se bem, ao estilo de todas as suas amigas e restantes "meninas da linha" dos arredores
- Deve tratar a família toda (incluíndo os irmãos mais novos, o peixe, o cão e o periquito) por "você";
- Deve ter uma voz com um tom 67,5% anasalado;
- Deve ter frequentado colégios e depois faculdade na Católica;
- Deve ter monteees de primos e irmãos e uma família enormeee.
Como não sou muito entendida nesta matéria das meninas da linha, admito que me possam ter faltado mais alguns requisitos importantíssimos para a identificação da espécie. Se se lembrarem de mais alguns, podem sempre deixá-los nos comentários abaixo. Pode ser que um dia consigamos escrever um livro só com este tema.
Meus bons amigos, não me alongando mais (apesar de ainda muito haver para discorrer sobre tão profundo tema), como vêm o conceito de menina da linha tem muito que se lhe diga, é matreiro. E eu a pensar que uma menina da linha era uma rapariga normal que sempre tinha vivido em Oeiras, junto à praia. Inocência e ignorância a minha. A querer fazer-me passar pelo que não sou. Desta não me esqueço. Shame on me!